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domingo, 8 de dezembro de 2013

Morte em Pemberley - P.D. James, opinião



Título Original: Death comes to Pemberley
Autora: P.D. James
Editora: Porto Editora
Número de Páginas: 304


Sinopse:

1803. Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy – o famoso par de Orgulho e Preconceito –, casados há já seis anos e com dois filhos, não podiam estar mais felizes na imponente propriedade rural de Pemberley. Até ao dia em que Lydia, uma das irmãs Bennet, chega à mansão gritando que o marido foi assassinado na floresta.

Em Morte em Pemberley, P. D. James combina as suas duas maiores paixões: a literatura policial e a obra de Jane Austen. O romance é uma clara homenagem à grande autora novecentista, mas faz justiça também às melhores histórias de assassinato, seguindo a tradição dos grandes romances de mistério sobre a aristocracia inglesa. Ou não fosse P. D. James a grande senhora do crime nas terras de Sua Majestade…


Sobre a Autora: 

P. D. James nasceu em Oxford, Inglaterra, em 1920. Durante a Segunda Guerra Mundial trabalhou na Cruz  Vermelha e, em 1949, nos Serviços de Segurança Britânicos. Em 1968, entrou para o Departamento de Polícia do Ministério do Interior. Estreou-se na literatura aos 42 anos, tornando-se uma das maiores escritoras de romances policiais da atualidade.

Opinião:
Pela sinopse, e como o próprio título indica, podemos esperar uma trama envolta no mistério, em que o casal de Orgulho e Preconceito, Mrs. e Mr. Darcy veêm o seu ambiente de paz e harmonia ameaçado pela sombra de uma morte que traz consigo a iminência de um escândalo para Pemberley.

Portanto, há um homicídio. Mas quem será a vitíma? Será realmente Wickham? E quanto ao criminoso, será a sua identidade descoberta e, por conseguinte, levado a justiça? Estando a dúvida lançada e o convite feito para ler, passemos ao que interessa.

Apesar de ter levado para lá de dois meses (shame-on-mee) a ler e de lá pelo meio ter andado a engonhar, quando me vi novamente com tempo para prosseguir com a leitura, esta passou com surpreendente celeridade, acompanhando o desenrolar dos acontecimentos, em que a dúvida permanecia sempre a mesma. Quem seria o culpado? E adjacente a isso, qual seria o motivo que levou a tão hediondo acto?

Penso que a história foi muito bem escrita (afinal quem seria eu para afirmar o contrário? :p), adorei rever as personagens deste clássico de Jane Austen (sou suspeita para falar, uma vez que é o meu preferido :D), e saber que a autora deu um futuro feliz a Elizabeth e Darcy com dois meninos lindos, assim como a Jane e Mr. Bingley.
No entanto, estaria a mentir redondamente se incluísse Mrs. Lydia Wickham nesse rol. Desde o primeiro livro que tenho uma espécie de ódio de estimação por essa personagem. Acho-a estridente, irreflectida e extremamente irritante.
Considerações aparte, além de, mesmo perto do final, quando julgamos que tudo fica por ali, se dar uma reviravolta, achei interessante o que a autora acrescentou à história de certas personagens. P.D. James deu-lhes uma certa profundidade, abrindo uma porta para o passado e mostrando detalhes que se viriam a reflectir no presente, e porventura no futuro.

E mesmo no último capítulo, fiquei surpresa não só com a menção das personagens de outro clássico de Jane Austen, Emma e Mr. Knightley e Miss Harriet Smith, assim como a forma como estas intervêm na história. É curioso que ao longo desta leitura, embora tenha levado o seu tempo a terminar, a autora me foi surpreendendo com estes pequenos pormenores. Resumindo e concluindo, gostei muito e é um livro que recomendo a sua leitura, p.ex., nesta quadra, com mantas em redor, e em frente da lareira.

Classificação 4/5

sábado, 8 de dezembro de 2012

Amor e Chocolate - Dorothy Koomson, opinião


Título Original: The Chocolate Run
Autor: Dorothy Koomson
Editora: Porto Editora
Número de páginas: 416

Sinopse:
UMA HISTÓRIA DELICIOSA DE AMOR, LUXÚRIA E CHOCOLATE
Amber Salpone não queria sentir-se atraída pelo amigo Greg Walterson, mas não consegue evitar.
E, de cada vez que a atracção se concretiza em algo mais, a aventura secreta fica mais perto de se tornar numa relação séria, o que, sendo ele um mulherengo e tendo ela fobia ao compromisso, constitui um grande problema.
Enquanto Amber luta para aceitar o que passou a sentir por Greg, apercebe-se também de que ela e Jen, a sua melhor amiga, estão cada vez mais afastadas.
Pouco a pouco, à medida que as duras verdades das vidas de todos vão sendo reveladas, Amber tem de enfrentar o facto de o chocolate não curar tudo e, por vezes, fugir não é opção…


Sobre a autora:
Apaixonada desde sempre pela palavra escrita, Dorothy Koomson escreveu o seu primeiro romance aos 13 anos. 
A Filha da Minha Melhor Amiga  foi o seu primeiro livro editado em Portugal. A história comovente de duas amigas separadas pela mentira e unidas por uma criança encantou os leitores portugueses.
Pedaços de Ternura, Bons Sonhos, Meu Amor, O Amor Está no Ar e Um Erro Inocenteforam igualmente bem-sucedidos, consagrando a autora como uma das grandes referências para os leitores.

 
Opinião:
Neste novo romance de Dorothy Koomson, logo de início, são-nos dadas a conhecer duas personagens que não podiam ser mais diferentes uma da outra. De um lado temos Greg, o lady’s man, o primeiro a meter-se nas mais variadas confusões, quando há uma mulher envolvida; de outro, temos a Amber, a boa e velha Amber,compromissofóbica por natureza.
É realmente curioso como a amizade floresceu entre eles. Uma amizade que sobreviveu a inúmeras situações caricatas, maioritariamente criadas por Greg, mas que se vê ameaçada por algo inevitável. E não é difícil imaginar onde um beijo (ou vários, neste caso) pode levar.
No decorrer da história, narrada por Amber, é engraçado ver como ela consegue gerir e equilibrar esse incidente (mesmo que a balança pareça, grande parte das vezes, estar avariada)  com tudo o resto que ela vive, desde o trabalho, à família e à convivência com o grupo, do qual ela, Greg, Jen e o namorado Matt, fazem parte.
E como se as coisas não estivessem suficientemente complicadas, a relação com Jenna, a melhor amiga, é influenciada pela distância, deixando entrever, ao longo do tempo, aspectos que estiveram durante muito tempo na sombra.
Mas nem tudo é amargo ou negativo.
Nesta jornada, Amber vai aprender que alguns riscos valem a pena, e que misturar o amor com o chocolate pode trazer as mais variadas surpresas.

Escrito de forma leve e divertida, Dorothy aborda de maneira simultaneamente divertida e comovente, quão dolorosa pode ser a escolha entre a lealdade a uma amiga e o amor por um homem. No entanto, de certa forma, no densenrolar do drama, também nos ensina que devemos parar, reflectir, perspectivar e pesar as prioridades, e que por vezes não é assim tão mau colocarmo-nos mais vezes em primeiro lugar. Às vezes até podemos ficar surpreendidos com o resultado.

Este foi o primeiro livro que li da autora. Confesso que inicialmente a curiosidade não era muita, mas aceitei o desafio de o tirar da estante, e valeu a pena. No fundo, fiz um percurso recheado de gargalhadas e algumas introspecções pelo meio. E foi um passo dado na direcção dos restantes livros da autora. Quem sabe qual será o próximo a vir parar à estante ;)

Não deixes que coisas que podem nem sequer acontecer te impeçam de te transformares na pessoa fantástica que podes vir a ser.


Classificação: 5/5

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Retrato de Família - Jojo Moyes, opinião

Depois de uma longa ausência, (por vezes, as pausas também são necessárias), estou de volta às leituras.
E trago comigo um livro que já li há algum tempo e me surpreendeu muito.
 
Título Original: Sheltering Rain
Autor: Jojo Moyes
Editora: Porto Editora
Número de Páginas: 416

Sinopse:
1953, Isabel II é coroada. A comunidade inglesa em Hong Kong reúne-se para celebrar o acontecimento. Para Joy, trata-se apenas de mais uma reunião enfadonha, idêntica a tantas outras. Mas a sua vida transformar-se-á nessa mesma noite ao conhecer o jovem oficial da Marinha Edward Ballantyne. A impulsiva proposta de casamento após um breve encontro parece ser a resposta a todos os desejos de Joy.

Mais de quarenta anos volvidos, Joy e Edward vivem na Irlanda e a sua relação com Kate, a filha, e Sabine, a neta de dezasseis anos, é distante e fria. Em Londres, Kate tenta resolver mais uma das suas inúmeras crises amorosas e, numa tentativa de proteger Sabine, decide que ela vá passar umas férias com os avós.

Para surpresa geral, Sabine parece adaptar-se bem à vida no campo e ao difícil temperamento da avó. Até que o súbito agravamento do estado de saúde de Edward obriga Kate a um inesperado regresso à casa de família, reabrindo as velhas feridas que a separam de Joy. Que segredos afastam mãe e filha? Poderá Sabine unir duas gerações tão diferentes, ou cairá também ela no silêncio que as separa?

Sobre a Autora:
Jojo Moyes nasceu em 1969 e cresceu em Londres. Estudou jornalismo e foi correspondente do jornal The Independent até 2002, quando publicou o seu primeiro romance, Retrato de Família, e resolveu dedicar-se à escrita a tempo inteiro.
Publicou depois Foreign Fruit (2003), The Peacock Emporium (2004), The Ship of Brides (2005), Silver Bay - A Baía do Desejo (2007), Um Violino na Noite (2008), The Horse Dancer (2009) e A Última Carta de Amor (2010), título que obteve o prémio Romantic Novel of the Year.
Jojo Moyes foi uma das poucas autoras a ganhar por duas vezes o prémio Romantic Novel of the Year, primeiro com Foreign Fruit e agora com A Última Carta de Amor. Do catálogo da Porto Editora constavam já os seus romances Silver Bay - A Baía do Desejo, Um Violino na Noite e Retrato de Família.


Opinião:
Este foi um livro que me surpreendeu pela positiva.
A sinopse dá-nos a ideia geral que a história gira à volta de três gerações: Joy, a avó; Kate, a mãe, e Sabine, a filha. Todas elas separadas por um desentendimento criado por falta de compreensão, e que só o tempo e Sabine poderão reparar.
Mas no fundo é muito mais do que isso. No fundo, é um livro que retrata a importância dos laços familiares e a importância da família em si.

O início da história situa-se na juventude de Joy, no dia em que a Princesa Isabel II é coroada, e Joy vislumbra o bilhete para a sua liberdade, através de Edward Ballantyne, um oficial da marinha e seu futuro marido.
A partir daí, o leitor é viaja em planos alternados, onde lhe é dado a conhecer o desenrolar da vida de Joy e Edward, ao mesmo tempo que o presente relata a relação disfuncional de Kate com a filha adolescente, e do modo como a última vai reatar a relação com os avós, enquanto passa uma temporada na Irlanda.

A autora faz ver que não há famílias perfeitas. Esta então está longe de o ser, pois, por detrás desse quadro bonito, escondem-se os problemas, dilemas, conflitos, enfim, tudo e mais alguma coisa, por que cada família passa.  Embora esteja tudo tão enraízado, as três vão ter de aprender a fazer cedências e a pôr os feitios e temperamentos fortes de lado, de modo a que novos laços possam sobrepôr-se aos que jazem quebrados e esquecidos.
E este é o retrato de uma família que, tendo passado décadas desfragmentada,  tem de aprender a ser novamente um todo, ainda que para isso seja necessário recordar o passado e desenterrar alguns segredos que se julgavam há muito esquecidos.

Este foi um livro em que senti que cresci.
Ao longo da narrativa revi o meu papel de filha, que nem sempre compreende ou se insinua impetuosa, e percebi uma vez mais, que independentemente das falhas e diferenças, a família é um dos alicerces que de mais importantes temos na nossa vida e o qual devemos estimar e manter sempre junto de nós.

Foi um livro que gostei muito de ler e que recomendo, pois, consegue surpreender até o leitor mais distraído.


Classificação: 4/5