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domingo, 6 de julho de 2014

Ainda bem que estás aqui - Maria Daniela Raineri, opinião

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Título Original: Meno male Che Ci Sei
Autora: Maria Daniela Raineri
Editora: Bertrand Editora
Número de páginas: 240

Sinopse:
 Allegra tem 17 anos. Luísa tem 35. Partilham um home, mas não o sabem. Ainda.

Aos dezassete anos, Allegra sente-se invisível: os pais ignoram-na, os colegas da escola nova não socializam com ela e o belo Gabrielle, com quem sonha de noite, trata-a como se ela fosse sua irmã.
Por outro lado, Luisa, de trinta e cinco anos, sente-se sufocada. É solteira, vive uma crise dos trinta anos e divide o seu afecto entre as duas únicas amigas e o amante. Em part-time, claro, porque ele é casado.
Allegra e Luisa não se conhecem, até que um acidente vem juntá-las. E se ao princípio a convivência é tempestuosa, acabam por tornar-se melhores amigas.
Com a sua escrita cinematográfica, envolvente e directa, Maria Daniela Raineri conta-nos a história de duas mulheres de gerações diferentes, com as suas lágrimas e os seus sorrisos.


Opinião:

Este livro despertou-me mixed feelings por diversas vezes, pois, se por um lado a leitura tem momentos agradáveis, por outro evoca demasiadas memórias de um passado recente para o meu gosto. Já se tornou comum, para mal dos meus pecados, surgir com frequência, referência, quanto mais pequenos pormenores que atingem o fundo do poço. Mas adiante, que o objectivo é falar da história em si.

De um lado temos a jovem Allegra, de 17 anos, uma jovem que se sente ignorada pelo mundo, na sua sombra apesar do seu rosto bonito e tez delicada, e que precisa urgentemente de se encontrar. Do outro, a autora apresenta-nos Luisa, uma mulher praticamente feita, que vive um romance com um pé na fantasia e outro na realidade, sem conseguir perceber o que realmente se passa. Estas duas mulheres não se conhecem de lado nenhum, até que um acidente trágico as junta e as suas vidas se cruzam.
Ora bem, já na página 16 eu adivinhava parte do enredo, e, das duas, uma, ou isto anda muito previsível ou então há em mim um sexto sentido a florescer. Mas... considerações à parte, estas duas juntam-se e a história toma um novo rumo.

Apesar de algumas atitudes de Luisa, não foi difícil para mim simpatizar com a sua personagem. Afinal, também eu fui uma jovem apaixonada e é sabido que por vezes temos atitudes menos recomendáveis, mas ao final do dia torna-se normal e facilmente perdoável. Gostei igualmente do trio com que Silvia e Barbara formam com a amiga. Na primeira, o sarcasmo parece ser o seu segundo nome, porém, nada que não se suporte, e com Barbara a atmofera torna-se calma e serena, à excepção quando as duas amigas entram em picardias.

Por outro lado, a personagem de Allegra para mim entrou em declínio depois de passada a metade do livro. Inicialmente senti uma ligação com ela, porque eu própria já senti algum dos sentimentos que descreve ao longo da história, muito próprios da vida de um adolescente. No entanto, à medida que a história progride, perdi a conta às vezes em que fechava o livro com uma exclamação, empurrando-o para longe, até voltar a sentir alguma vontade de continuar. Perdoem-me a expressão, mas raio da miúda! Certas atitudes valiam-lhe um par de estalos, mas também há momentos em que penso "pobrezinha" e outros em que comprimo os lábios e fecho os olhos, enquanto penso "oh bolas, isto vai correr mal..." e novamente livro para o lado.

Estava com algumas expectivas, poucas, mas positivas e maior parte cairam por terra. Mas ora bem, 
agora que são quase duas da manhã - confesso que não consegui largar o livro -, ainda não consigo classificá-lo quantitativamente (se bem que sei que está seguramente abaixo do 4/5), mas posso descrevê-lo da seguinte maneira:

"Ainda Bem que Estás Aqui", é uma obra sobre amizades firmes e improváveis e que muito se assemelha a um passeio de montanha russa - começa calmamente, e, quando menos damos por isso, uma série de acontecimentos derruba-nos, mas, por algum motivo, não o conseguimos largar até sabermos o fim.

E falando em final, a nível pessoal tenho de dizer que a autora ia fazendo asneira
"- O que achas se lhe chamar Federico?
- Acho que é uma asneira - exclama Silvia, que acabou de entrar a correr no quarto." - Por estas e por outras esta Silvia conquistou-me xD


"Sabes o que costumava dizer a minha avó? Que os homens vão e vêm, as amigas é que ficam - sentencia Barbara, apertando a mão de Luisa.
- Se não me engano a tua avó morreu alcoólica.
- Sim, mas nunca bebia sozinha!" p.202

Classificação: 2/5

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Os Escrúpulos de Maigret - Georges Simenon, opinião

 
Autor: Georges Simenon
Editora: Livraria Bertrand
Volume: III
Número de Páginas: 158

Sinopse:
Em 'Os escrúpulos de Maigret', o inspector da polícia francesa depara-se com um dos casos mais difíceis de sua carreira - sem um cadáver ou um motivo, Maigret investiga um crime que ainda está para acontecer. Xavier Marton - o educado vendedor da secção de brinquedos do Grande Museu do Louvre - pede ajuda a Maigret. Ele está convicto de que a sua mulher pretende envenená-lo. Pouco tempo depois, a própria esposa de Xavier procura Maigret para informar que é a sua vida que corre perigo. Na dúvida se ambos são lunáticos, manipuladores ou vítimas, resta ao inspetor investigar os dois suspeitos. Ao observar a relação do casal, Maigret penetra num curioso caso sobre o casamento e as circunstâncias que levam uma relação ao fim.

Opinião:
Assim que li a última página e fechei o livro, fiquei com uma sensação esquisita, muito semelhante a um esgar, quase como se tivesse comido algo extremamente amargo.
No geral, penso que esta história foi muito bizarra e o final em nada foi diferente. Porque o que começa com um quebra-cabeças, desenrola-se numa sucessão de acontecimentos estranhos que acaba por culminar numa morte.... Efectivamente um crime foi cometido e o que mais me chocou nesta história foi a forma como o autor vai revelando o que aconteceu e como tudo se processou na mente do criminoso.

Estou indecisa entre o gostei e o "naah, esquece lá isso"...

Enfim, vou fazer uma pausa deste autor e comer qualquer coisinha doce para ver se isto passa!

domingo, 19 de janeiro de 2014

Maigret Diverte-se - Georges Simenon, opinião


Título Original Francês: Maigret S'amuse
Autor: Georges Simenon
Editora: Livraria Bertrand
Volume: II
Número de Páginas: 157

Opinião:

O comissário Maigret da Polícia Judiciária, vê-se a braços com um estranho caso que abalou a cidade de Paris. No entanto, é obrigado a acompanhar de fora, pois o médico advertiu-o a tirar férias. Então, é pelos jornais, que segue o caso, qual detective amador (pormenor que o diverte - daí o título, penso eu de que...)
Uma jovem mulher é encontrada numa e dobrada em dois num armário de um consultório médico. Pois então, quem será ela? E porque motivo terá ela sido assassinada e despojada das suas roupas? E mais, conseguirá o comissário descobrir a verdade?

Como já vos tinha contado num post anterior, este livro foi descoberto na casa da minha avó paterna e já data de 13 de Setembro de 1956 - portanto uma relíquia, pois tem as páginas já amarelas e nota-se que foi já manuseado diversas vezes.
Estreei-me com este autor e confesso que não estava à espera de ficar tão presa às páginas. Apesar de simples, a história é envolvente e as personagens tendem a ganhar vida na nossa cabeça, enquanto tentamos deslindar o que terá acontecido e quem terá sido o culpado.
Gostei igualmente das descrições do autor, maioritariamente pormenorizadas, que me levaram a viajar pelos boulevards de Paris, e nos outros cenários por que este leva o leitor.
Por isso é um livro que recomendo a qualquer um que goste de um bom policial.

E depois deste, aguardo com curiosidade os mistérios que o comissário Maigret tem ainda por desvendar, na minha estante ehehe

Classificação: 4/5

domingo, 29 de setembro de 2013

Inferno - Dan Brown - opinião


Título Original: Inferno
Autora: Dan Brown
Editora: Bertrand Editora
Número de páginas: 551

Sinopse:
«Procura e encontrarás.»

É com o eco destas palavras na cabeça que Robert Langdon, o reputado simbologista de Harvard, acorda numa cama de hospital sem se conseguir lembrar de onde está ou como ali chegou. Também não sabe explicar a origem de certo objeto macabro encontrado escondido entre os seus pertences.

Uma ameaça contra a sua vida irá lançar Langdon e uma jovem médica, Sienna Brooks, numa corrida alucinante pela cidade de Florença. A única coisa que os pode salvar das garras dos desconhecidos que os perseguem é o conhecimento que Langdon tem das passagens ocultas e dos segredos antigos que se escondem por detrás das fachadas históricas.

Tendo como guia apenas alguns versos do Inferno, a obra-prima de Dante, épica e negra, veem-se obrigados a decifrar uma sequência de códigos encerrados em alguns dos artefactos mais célebres da Renascença - esculturas, quadros, edifícios -, de modo a poderem encontrar a solução de um enigma que pode, ou não, ajudá-los a salvar o mundo de uma ameaça terrível…

Passado num cenário extraordinário, inspirado por um dos mais funestos clássicos da literatura, Inferno é o romance mais emocionante e provocador que Dan Brown já escreveu, uma corrida contra o tempo de cortar a respiração, que vai prender o leitor desde a primeira página e não o largará até que feche o livro no final. 

Sobre o Autor: (*)
O escritor norte-americano Dan Brown nasceu em 1965 em New Hampshire, nos Estados Unidos da América, sendo filho de um professor de Matemática e de uma intérprete de música sacra.  
Tentou fazer carreira como compositor, pianista e cantor. No entanto, este plano de vida fracassou e Dan Brown acabou por ir estudar história da arte em Sevilha, em Espanha. Em 1993 regressou a New Hampshire para se tornar professor de inglês na escola onde tinha estudado. Passados dois anos, os serviços secretos norte-americanos foram à sua escola buscar um aluno que consideravam uma ameaça nacional por ter escrito, na Internet, que era capaz de matar o presidente Bil Clinton. Dan Brown ficou tão interessado no assunto que começou a fazer pesquisas sobre a Agência Nacional de Segurança. Acabou por resultar desse interesse a escrita do seu primeiro romance Digital Fortress, que foi lançado em 1996 com algum sucesso.
Dan Brown é autor de O Código da Vinci, Anjos e Demónios, A conspiração, Fortaleza Digital, O Símbolo Perdido e Inferno, obras com grande sucesso e editadas em Portugal pela Bertrand Editora.

Opinião:
Assim de chofre, este é um livro em que nada é o que parece, e quando se pensa que é a, o autor troca-nos as voltas até percebermos que afinal é b. Li-o praticamente de uma assentada, enquanto esperava no aeroporto do Funchal para regressar a Lisboa. E não deixa de ser notável quando finalmente erguemos o olhar para o mundo, que continua a girar à nossa volta, e ficamos surpreendidos por ter passado tanto tempo.
Nesta história, o Professor Robert Langdon embarca numa aventura, sem o mínimo resquício de memória dos últimos dois dias, viajando pelo Inferno, parte da célebre obra de Dante Alighieri, A Divina Comédia.
Desenrolando-se em cenários de tirar a respiração, Florença, Veneza e Instambul, Robert Langdon e a jovem médica Sienna Brooks, tentam, numa corrida contra ao tempo, impedir o culminar de uma tragédia que ameaça o mundo. Mas sendo perseguidos em todo o seu percurso, conseguirão chegar a tempo? E saberá Robert em quem poderá confiar?

Gostei imenso deste livro e parece que todas as palavras que tinha a escrever se ficaram por lá eheh
Penso que a só a sinopse fala por si, e chama o leitor a pegar-lhe, como que num ciciar hipnotizante. Muito à semelhança dos livros anteriores, Dan Brown consegue cativar o leitor de tal maneira que lhe dá a conhecer e o leva pelos caminhos mais recônditos e enigmáticos possíveis da história e do mundo, numa aventura em espiral, e sem sair do lugar!
Já ouvira falar da obra em questão, A Divina Comédia, mas na altura, a curiosidade não me levou a ir mais além. Todavia, e felizmente, Dan Brown regou a sementinha, pelo que, assim que acabei o livro, pus os neurónios a funcionar, e encontrei maneira de poder ler a obra de Dante. Não sei quanto tempo levarei a ler, mas assim que o fizer, virei aqui partilhar convosco :)

Confesso que a vontade é debitar sobre tudo o que há a dizer, mas, correndo o risco de fazer spoilers, convido-vos antes a escolher um local confortável da vossa preferência, e a perderem-se nas páginas deste livro :)

Classificação: 4/5


(*) A Biografia do Autor foi retirada da Wook mas abreviada, pois era muito extensa. A meu ver, deixei o essencial, incluindo algumas curiosidades que desconhecia sobre o mesmo.