segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Novo Ano, novos projectos e novos desafios

Olá a todos :)

Sei que o blog esteve muiiiiito tempo parado, não só pela falta de tempo, mas também porque vim para Angola e a net é para lá de péssima.

Dei as boas-vindas a 2017 com muito calor (vantagens de se estar num hemisfério diferente eheh) e tive a sorte de conhecer a Daniela (obrigada Facebook!) e de juntas embarcarmos num novo projecto.

Devem estar a perguntar-se quem é a Daniela... Se estivesse desse lado, também faria isso. Sem mais delongas, apresento-vos uma das novidades que este ano me trouxe.

A Daniela é uma jovem de 23 anos, com quem me identifiquei de imediato. É licenciada e mestre em Sociologia e actualmente está a fazer uma pós-graduação em Marketing Digital. Por partilharmos o gosto pela leitura, escrita, fotografia e por viajar, vi logo que era boa rapariga eheh A Daniela também gosta de desenhar e pintar. E tem uma página de facebook/instagram a Palavra-Padrão onde partilha com quem a segue o seu talento que se traduz em peças únicas e, na minha opinião, adoráveis (confesso-me fã :) )

Para a Daniela, o Palavra-padrão é um cantinho, que muito se assemelha a "um pátio online onde nos sentamos a conversar, e onde por acaso se vende umas coisitas." (sic)


Este é um espaço que vos convido a conhecer não só pelas páginas acima referidas, mas pelos posts que irei partilhar convosco :)

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

De Amor e Sangue - Lesley Pearse, opinião

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Título Original: Hope

Autora:Lesley Pearse
Editora: Edições Asa
Número de Páginas: 664
 
Sinopse:

Somerset, 1836.
A recém-nascida Hope é a prova viva do adultério da mãe, a aristocrata Lady Harvey. A sua chegada a este mundo não é festejada e as lágrimas em seu redor não são de alegria. Imediatamente arrancada àquele meio privilegiado e entregue nas mãos dos Renton, uma família pobre mas acolhedora, Hope cresce sem saber a verdade sobre as suas origens. E quando chega o dia em que também ela tem de começar a contribuir para o sustento da família, é precisamente para os Harvey que trabalha. Deslumbrada perante a mansão luxuosa, a elegância dos seus patrões e a beleza que os rodeia, Hope enfrenta com brio e gratidão a extenuante rotina de trabalho.
Mas a descoberta de uma ligação proibida vai lançá-la sozinha para as ruas, para uma vida de miséria e solidão. É na adversidade, porém, que descobre uma força interior que desconhecia, bem como um talento para ajudar os mais fracos. Trata-se de um dom que não passa despercebido ao Dr. Bennett, que a leva consigo para a Crimeia, para ajudar a tratar dos feridos vindos dos sangrentos campos de batalha. Mas os segredos do passado teimam em vir ao de cima, e Hope tem ainda um longo caminho a percorrer na tentativa de enfrentar o legado do seu nascimento. 


Opinião:

Como vou estar longe de casa durante alguns meses, achei que não podia faltar uma obra de Lesley Pearse para viajar comigo. Confesso que já não me recordava bem da sinopse, e, em boa verdade, não me dei ao trabalho de voltar ao livro e ler. Que coisa mais simples. No entanto, talvez tenha acertado e quiçá por isso tenha sentido que o li na altura certa.

"Dizia-se que as crianças fadas vinham a este mundo para dar boa sorte. Podiam ser reconhecidas pela sua chegada inesperada, pela sua extraordinária beleza e doçura de carácter" (p.12 §9)

Hope Renton reúne todas essas características. Apesar das suas origens ligadas à aristocracia, Hope acabou por ser criada no seio de uma família unida, tendo assim a oportunidade de conhecer o amor e carinho dos pais e dos irmãos, o gosto amargo do trabalho árduo e da perda, assim como o sentimento gratificante de ajudar o próximo. 
Uma vez mais, Lesley Pearse junta os ingredientes essenciais para criar uma personagem feminina cuja força e fé irão ser testadas até ao limite. E uma vez mais, a autora não nos desilude.

Hope cresce à margem do que lhe é legado por direito - convive com a sua mãe, que igualmente desconhece os laços que as unem - e quando alcança algo pelo qual tanto trabalho, é-lho tirado sem cerimónias. Todavia, nem nos momentos de maior fraqueza, desistir é uma hipótese. E é na desesperança que se abrem novas portas que a levam por caminhos que jamais teria imaginado para si.

Paralelamente à personagem de Hope, quero salientar que Nell teve um papel muito importante no desenrolar da história. Houve momentos em que senti alguma irritação perante a sua resignação e submissão face aos obstáculos. Porém, também foi para mim uma surpresa a transformação que esta personagem sofreu, e, posteriormente, o impacto que teve ao tocar a vida de diferentes personagens.

Anteriormente, partilhei convosco a minha surpresa por ter escolhido tão bem este livro para levar comigo em viagem. *alerta spoiler!* A vida de Hope leva-a a ser enfermeira e a partir para os campos de batalha, onde iria cuidar dos soldados feridos. Penso que esse foi mais um factor que me levou a sentir tanta afinidade com esta personagem, estando eu a concluir a minha caminhada para ser enfermeira. Associada a esta temática, apreciei bastante o pormenor de Lesley Pearse ter citado por várias vezes Florence Nightingale, um dos símbolos mais emblemáticos da Enfermagem.

Lesley Pearse não desilude nesta sua obra que nos leva a viajar pelos campos de Somerset até aos cenários desoladores na Crimeia, onde a verdade acaba por se revelar, unindo os pontos que o destino havia tecido de forma indelével.


Classificação: 5/5

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Lago Perdido - Sarah Addison Allen, opinião

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Título Original: Lost Lake
Autora: Sarah Addison Allen
Editora: Quinta essência
Número de Páginas: 280

Sinopse:

A primeira vez que Eby Pim viu Lago Perdido foi num postal. Apenas uma fotografia antiga e algumas palavras num pequeno quadrado de papel pesado, mas quando o viu soube que estava a olhar para o seu futuro.
Isso foi há metade de uma vida. Agora Lago Perdido está prestes a deslizar para o passado de Eby. O seu marido George faleceu há muito tempo. A maior parte da sua exigente família desapareceu. Tudo o que resta é uma velha estância de cabanas outrora encantadoras à beira do lago a sucumbirem ao calor e à humidade do Sul da Georgia, e um grupo de inadaptados fiéis atraídos para Lago Perdido ano após ano pelos seus próprios sonhos e desejos.
É bastante, mas não o suficiente para impedir Eby de abrir mão de Lago Perdido e vendê-lo a um empreiteiro. Este é por isso o seu último verão no lago… até que uma última oportunidade de reencontrar a família lhe bate à porta. 

Opinião:

Na sua obra mais recente, Sarah Addison Allen transporta-nos para o mundo mágico de Lago Perdido, contando-nos uma história que tem início no passado e que se prolonga para lá do tempo.

Eby Pim encontrou em Lago Perdido o sítio que viria a chamar "casa", durante longas décadas. É lá que resolve assentar com o marido, George, mas a sua perda fá-la considerar mudar de rumo e vender a propriedade.

No entanto, a sua magia traz até à sua porta a sobrinha-neta, que, tocada pelas suas próprias perdas, deseja encontrar um novo futuro para si e para a filha. Kate e Devin deixam-se envolver pelo ambiente místico de Lago Perdido, e, juntamente com Eby, lutam para acabar com o sofrimento que marca as gerações das mulheres Morris.

Gostei do facto da autora criar um enredo paralelo com outras personagens, como Lisette ou Bulahdeen, que enriquecem todo o livro, por terem personalidades tão diferentes entre si, e cujas histórias são únicas e se entrelaçarem de forma tão especial.

Este é um livro que nos envolve e faz sonhar, e que é tão característico de uma autora que já tem lugar cativo na minha estante. Lago Perdido é um romance que à sua maneira é adorável, e conjuga risos e momentos de reflexão, onde o leitor é levado a procurar a magia nas pequenas coisas.
Classificação: 4,5/5

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Baunilha e Chocolate - Sveva Casati Modignani, opinião

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Título Original: Vaniglia e cioccolato
Autora: Sveva Casati Modignani
Editora: Edições ASA
Número de Páginas: 464
Sinopse:
Um casamento em crise: como se a baunilha e o chocolate já não combinassem tão bem como outrora... O grande "clássico" de Sveva Casati Modignani.

O que se passa com Penelope e Andrea após dezoito anos de um casamento quase perfeito? A baunilha e o chocolate já não combinam? Impossível! Desde sempre, apesar do contraste de cores e sabores, fizeram uma mistura fantástica, como algumas uniões afectivas, que vão aguentando, aguentando, como que levadas por um vento milagroso. Mas o vento, às vezes, deixa de soprar...

Inesperadamente, Andrea revela-se protagonista de inúmeras escapadelas mal escondidas e o seu comportamento, por vezes, é tão infantil e egoísta que Penelope decide oferecer-lhe um presente: deixá-lo sozinho a lidar com os três filhos e com as inúmeras tarefas domésticas, que até agora pesavam única e exclusivamente sobre os seus ombros. Quanto a ela, refugia-se na casa da família em Cesenatico. A separação revela-se, para ambos, um desafio cansativo e, por vezes, angustiante, mas a verdade acabará por vir ao de cima: o amor que os uniu continua vivo... 

Opinião:

Ainda não tinha lido nada de Sveva Casati Modignani, portanto, foi mais uma estreia literária. Esta leitura permitiu-me fazer uma pausa entre géneros literários de maior suspense, e proporcionou-me uma leitura suave (quase como se fosse uma tarde de primavera *nossa fiquei mesmo inspirada*). 

Em "Baunilha e Chocolate" a autora transporta-nos para uma história de contrastes, onde Penelope, uma mulher cansada de um casamento difícil, resolve tirar um tempo para si, deixando o marido arcar com todas as responsabilidades.

Ao longo do livro, foi interessante conhecer como tudo começou, quando Penelope e Andrea eram nada mais que um casal apaixonado, e ver como com o tempo as transformações se foram operando na sua dinâmica de casal e já com três filhos. Em boa verdade, esta história podia retratar a história de qualquer casal, afinal, todos têm as suas alegrias, problemas e dissabores. E à medida que a trama se desenrola, e a autora deixa a descoberto os desejos de Penelope, é dificil não nos perguntarmos se, cada decisão que tomámos na nossa vida, foi a correcta. E se nos fosse dada a oportunidade de mudar de rumo, se o faríamos, deixando tudo o que construímos para trás.

"Baunilha e chocolate" é mais do que uma boa combinação de sabores, é uma história que leva o autor numa viagem de reflexão e de descoberta, cujo final pode não ser o que idealizámos.

Classificação: 3,5/5