sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Sê bem-vindo 2016

Boas entradas a todos!
 
Desta vez, juntei-me com uns amigos e resolvi entrar com o pé direito no novo ano em terras alentejanas!
 
Adoro a sua quietude e tranquilidade, mas desengane-se quem pensar que foi o que mais reinou por lá eheh Ainda levei um livro comigo mas não adiante muitas páginas tal foi a azáfama que preencheu esses dias.
 
Curiosamente, não comi passas, nem derivados (uvas, smarties, ou o que convier mais aos gostos e imaginação de cada um) nem tão-pouco defini resoluções a concretizar ao longo do ano.
Para ser diferente dos outros  anos, apenas desejo conseguir focar-me na faculdade, descomplicar-me a nível pessoal, e dedicar mais de mim ao blogue, que, coitadinho, tem sido negligenciado com a falta de tempo.
 
A todos vós bom ano e acima de tudo boas leituras!
 
 
 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Beijo - Jill Mansell, opinião

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Título Original: Kiss
Autora: Jill Mansell
Editora: Edições Chá das Cinco
Número de Páginas: 368

Sinopse:

Izzy um dia vai ser famosa. A indústria da música é que ainda não a descobriu. A irrepreensível Izzy tem um talento fascinante, dois namorados perfeitos e uma filha para lhe organizar a vida. Basicamente, uma vida de sonho.

Já a vida de Gina não podia ser mais infernal. O cretino do marido acaba de fugir com a amante grávida. E ela sente-se destroçada quando derruba acidentalmente Izzy da sua moto. Porém, não é propriamente o fim do mundo, pois não? Apenas uma perna partida.

Mas o mundo de Gina, como ela o conhece, está prestes a ficar de pernas para o ar. Izzy e a filha Kat foram catapultadas para dentro da sua vida, antes tão metódica. Pior, Izzy está de olho no melhor amigo de Gina, Sam, que é lindo de morrer. Como acabará tudo? Numa torrente de lágrimas ou num beijo inesquecível?


Opinião:
Mil anos depois da ultima vez que escrevi no blogue, e, mais importante, do último livro que li (blasfémia!), cá estou eu de novo.
Uma autêntica vergonha, eu sei, mas para me redimir trago-vos mais uma opinião.

Á primeira vista, a capa de tons alegres assim como o titulo, parecem fazer jus á sinopse que os acompanha, ou seja, no seu todo a autora Jill Mansell cria um enredo envolto na maior das confusões. O que não é necessariamente algo mau, considerando as várias gargalhadas que dei ao longo do desenrolar da história.
O inicio é pautado com o caracteristico bom humor á medida que as desgraças se dão e as personagens se entrecruzam, entrando na vida umas das outras, temporaria e por vezes, permanentemente.

Gina viveu a sua vida devotadamente ao marido que não tem a minima decência e lhe confessa o caso frutifero com a amante gravida. Ponto número 1, seria de esperar que este espécimen saisse rapidamente de cena, mas ao bom estilo novelesco, ainda vai causar mais danos. Adiante, ponto número 2, se estiver emocionalmente alterada não conduza - sugestão que pode ajudar a prevenir acidentes, como a meio da noite a Gina chocou com o turbilhão Izzy. Mas neste caso ninguém poderia prever o rol de acontecimentos mais rocambolescos que se viriam a desenrolar.

Izzy é cheia de vida, leva uma vida despreocupada, mas ambiciona o estrelato como cantora. E tem uma filha que em nada se parece consigo: com 17 anos, Kat é um pequeno prodígio, inteligente e demasiado dedicada aos estudos para reparar no sexo oposto. Mas nada neste livro é estanque e a partir do momento em que Izzy e Kat entram na vida de Gina, tudo pode acontecer.
Por entre as várias personagens que vão sendo introduzidas, o enredo toma, por diversos momentos, contornos dignos de uma verdadeira telenovela mexicana. Demorei praticamente três semanas a ler este livro, porque senti que certas partes eram um pouco repetitivas e cansativas... mas lá está, o drama é um componente e, de certo modo, unifica as pontas soltas que resultam num desenlace improvável, embora dispensasse algumas partes.

Mas enfim, já há muito tempo que não lia nada da autora, e em boa verdade, shame on me, já não pegava num livro (que não fossem sebentas e molhos de apontamentos da faculdade) há muiito tempo, mas no geral foi uma leitura agradável e, não sei bem como, acabei por me rever um pouco em algumas personagens - e quando somos confrontados com alguns aspectos acabamos por reflectir e pensar se queremos continuar em determinado comprimento de onda. Como tal, "Beijo" tem de tudo um pouco e um convite a quem o quiser ler.

Classificação 3/5

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Contos da Meia-Noite - Nora Roberts, opinião

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Título Original: Once Upon a Midnight
Autora: 
Editora: Ulisseia
Número de páginas: 408

Sinopse:
A meia-noite serve de mote para uma série de pequenas histórias. Uma selecção dirigida por Nora Roberts, ela própria autora do primeiro conto.
Nora Roberts: A Hora dos Feitiços
Um reino é atormentado pela tragédia até que o feitiço de um deus mago faz surgir uma jovem, bela e corajosa, que terá de seguir o seu coração no amor e cumprir o seu destino na guerra...

Jill Gregory: Espelho Meu
Uma curandeira que jurou proteger o herdeiro de um reino conturbado tem de recorrer à ajuda de um cavaleiro ferido e de um espelho mágico...

Ruth Ryan Langan: Amante de Sonho
Numa viagem de negócios à Escócia, uma jovem americana desiludida com o amor é arrebatada pelo romantismo das Highlands - e pelos encantos de um perfeito desconhecido...

Marianne Willman: Terras da Meia-Noite
Ao investigar a história da sua família na Europa, uma americana depara-se com um castelo encantador e com o seu enigmático proprietário, que está convencido de que ela é a chave de uma terrível maldição...

Opinião:

Talvez embalada pelo ritmo alucinante do último livro que li da Lesley Pearse, li praticamente um conto entre dia, dia e meio (haja tempo e literalmente nada para fazer - benditas santas terrinhas e baforadas de calor que desencorajam a sair de casa eheh)

Ora bem, nesta colectanea de contos, cujo tema central é a meia-noite, ou o livro não estivesse intitulado por "Contos da Meia-noite", cada autora, á sua maneira, eleva a personagem feminina, transformando a sua vida: obrigando-a a crescer com o ultrapassar de obstáculos, confrontando-a com a hipótese de continuar ou virar costas; contudo, a nossa heroína nunca está só, pois, no meio do caos, é acrescentado um segundo elemento, para que a sua existência possa, assim, estar completa.

Cada conto está envolto pela magia e pautado pelas doze badaladas que ditam a meia-noite. E dos quatro, o primeiro conto teve um impacto bastante positivo, gostei da forma como a protagonista, Aurora, foi caracterizada, essencialmente na sua coragem e força de vontade, para levar a cabo uma missão, por norma, incumbida a guerreiros, e raramente a uma mulher. Nora Roberts, não desilude no seu estilo de escrita, e levou-me a "devorar" o conto com avidez, pois, embora, a premissa estivesse já lançada, foi interessante acompanhar o desenrolar da história, sempre com a componente da magia presente.

A partir daí senti o livro esmorecer ligeiramente, não digo que os restantes contos sejam desinteressantes, muito antes pelo contrário (apesar de ser suspeita pela minha preferência por Nora Roberts), o oculto e o romance estão intrinsecamente ligados, e o leitor é frequentemente envolvido pelo enredo e suas personagens peculiares, numa leitura agradável para ocupar as tardes de fim do Verão.


Classificação: 3,5/5

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Sonhos Proibidos - Lesley Pearse, opinião

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Título Original: Bell 
Autora: Lesley Pearse 
Editora: Edições ASA 
Número de Páginas: 624 

Sinopse: 

Londres, 1910 

Belle tem quinze anos e uma vida protegida. Graças aos cuidados da ama, ela nunca se apercebeu de que a casa onde vive é um bordel, regido com mão de ferro pela sua mãe. Porém, a verdade encontra sempre maneira de se revelar… Para Belle, será no trágico dia em que assiste ao assassinato de uma das raparigas da casa. Ingénua e indefesa, ela fica à mercê do criminoso, que a rapta e leva para Paris, onde se inicia como cortesã. Afastada do único lar que conheceu, a jovem refugia-se nas memórias de infância e acalenta o sonho de voltar aos braços do seu primeiro amor, Jimmy. 

Mas Belle já não é senhora do seu destino. Prisioneira da sua própria beleza, é alvo do desejo dos homens e da inveja das mulheres. Longe vão os anos da inocência e, quando é levada para a exótica e decadente cidade de Nova Orleães, ela acaba por apreciar o estilo de vida que o Novo Mundo tem para lhe oferecer. Mas o luxo e a voluptuosidade que a rodeiam não mitigam as saudades que sente de casa, e Belle está decidida a tomar as rédeas da sua vida. Um sonho que pode ser-lhe fatal pois há quem esteja disposto a tudo para não a perder. No seu caminho, como barreiras fatais, erguem-se um continente selvagem e um oceano impiedoso. Conseguirá o poder da memória dar-lhe forças para sobreviver a uma viagem impossível? 

Opinião: 

Confesso que já andava algo afastada dos livros de Lesley Pearse pelo impacto que têm em mim. E por sugestão de uma grande amiga que andava a ler “A Promessa” deixei-me levar em mais uma viagem tortuosa e não estou nada arrependida! Em “Sonhos Proibidos” a autora remete-nos para um cenário de degradação de um dos bairros mais desfavorecidos de Londres, Seven Dials, que serve de casa a tanta gente sem posses e que é obrigada a sobreviver.

Belle vive resguardada de um dos temas que me causa estranheza e até uma certa aflição – tratando-se de algo que sucede na sociedade desde o início dos tempos e infelizmente ainda marca os dias de hoje: a prostituição. A mãe de Belle, Annie, gere um bordel, o Annie’s place, e tenta proteger a filha dessa realidade, providenciando uma boa educação e impondo regras, mas nada a impede de presenciar um acontecimento que irá mudar tudo para sempre e irá atirar Belle para um mundo de escuridão e de onde é raro escapar.

Como comecei por dizer, Lesley Pearse tem o dom de escrever personagens cuja força é testada ao limite, e onde cada palavra e acontecimento não são escondidos ao acaso, pelo que, ao longo do livro tive muitos momentos em que queria continuar mas dei por mim a interromper a leitura – após findo o respectivo capítulo, claro eneh – ou dava por mim a ler três ou mais capítulos de uma assentada enquanto sustinha  o fôlego.

“Sonhos Proibidos” dá início a uma saga, da qual confesso que só conhecia “A Promessa”, e é um livro tão envolvente como o título nos indica, o qual me arrebatou do início ao fim. Apesar do tema me chocar ao ponto de envolver raparigas tão ou mais jovens que Belle, gostei muito da forma como a autora lhe deu seguimento, colocando muitas pessoas no caminho de Belle, que ao longo da sua jornada, a ensinaram a conhecer a natureza do ser humano, a distinguir o certo do errado, e que havia boas e más pessoas “e aquelas que estavam no meio e tinham um pouco de bom e de mau porque tinham sido danificadas pelas coisas más que lhe tinham acontecido.” * 

Este é um livro envolvente, cuja leitura se torna viciante com descrições tão vividas, capazes de nos suscitar horror, tristeza e alegria, e polvilhada com a dose certa de adrenalina.

Classificação: 5/5 


* Excerto retirado da página 584, 5° parágrafo, linhas 15-17.